Encontro com a Macieira

Comecei a meditar e não aparecia nada. Eu não conseguia vislumbrar nem o meu bosque, nem a trilha que levava até ele, não conseguia visualizar nenhum sinal de que eu tinha conseguido fazer contato com o Espírito da Macieira ou de que eu estava numa jornada espiritual de encontro a ela.

Eu só via a escuridão. Então a chamei. Chamei a Macieira como eu estivesse implorando para que ela falasse comigo. “Por favor fale comigo!”

“Porque eu deveria falar com você?” – ouvi o Espírito da Macieira dizer enquanto pegava na minha mão e me levava ao meu bosque onde pude ver a árvore da Macieira cheia de flores brancas no centro da clareira.

Percebi que eu era uma criança e o Espírito da Macieira era o de uma mulher jovem que me acompanhou até a árvore e me ajudou a escalar os galhos da sua contra-parte árvore. Eu brincava em seus ramos mas o Espírito da Macieira permanecia sério.

Alguns seres pequenos e brilhantes vieram e subiram nos galhos e brincaram comigo e então me conduziram, por uma portinha no tronco da árvore, para dentro dela.

Lá dentro a escuridão se fez outra vez.

“Já cansou de brincar?” – ouvi ela dizer – “Como se atreve a vir me procurar se ainda não está limpa?”

O medo se apossou de mim e me senti acuada e minúscula. No meu corpo real, comecei a sentir uma forte dor palpitando em meu peito.

“Você pode fingir e fugir o quanto quiser… Mas, eu sou a Rainha das Ilusões e eu vejo por trás da sua máscara. Como se atreve a usar uma máscara para vir aqui?” – e continuou – “Você pode fingir o quanto quiser, fugir e se iludir o quanto quiser mas eu sei da dor que você carrega no peito. É impossível se defrontar com o Amor se você carrega essa máscara, oculta suas feridas e finge estar bem. É uma afronta pra mim que você suponha que eu não vou perceber.”

Então eu vi a verdade como um espelho que ela esfregava na minha cara.

“Você não está pronta para receber minhas bençãos porque você ainda se afoga nas ilusões das mágoas. Eu sou sua mãe e jamais posso permitir que você continue a fugir como está fazendo agora.” – a bronca da Macieira fazia meu peito arder e as lágrimas corriam sem parar dos meus olhos… Então eu explodi:

“Eu não sei me curar! Me perdoe mãe! Eu não sei como curar!” As palavras saiam rasgando, as lágrimas escorriam queimando, meu peito era um buraco de lava fumegando…

“Venha, deite-se aqui e descanse… pare de correr e descanse… Você precisa parar!” Ela me aconchegou em seu colo e tudo era uma luz branca e difusa ao meu redor, suave como brumas.

“Não há razão para usar máscaras comigo. O Amor tudo vê. Eu sou mestre em me disfarçar porque você achou que poderia se esconder? Calma criança, apenas se acalme e descanse, você está comigo agora… ” E eu relaxei em seu colo e fiquei ali por um tempo incomensurável…

Máh Búadach

Esse texto foi inspirado na minha vivência com a Macieira durante os estudos do Ogham com o Fidnemed an Síd, grupo de druidismo de São Paulo guiado pela Druidesa Rowena A. Seneween.

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